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Módulo 05 — Referência

Glossário e legislação do setor

Termos técnicos e marcos regulatórios de ITAD, ESG e leasing explicados em linguagem direta, sem juridiquês. Uma referência rápida para quem precisa entender o vocabulário e as regras que organizam o ciclo de vida de ativos de TI no Brasil.

Glossário

Termos e siglas do setor

ITADInformation Technology Asset Disposition
Gestão estruturada do fim de vida útil de ativos de TI — do momento em que o equipamento sai de uso até seu destino final: revenda, doação, reaproveitamento ou descarte responsável.
Logística reversa
Processo de retorno de produtos e materiais ao ciclo produtivo ou a uma destinação ambientalmente adequada após o uso. É um dos instrumentos centrais da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
ESGEnvironmental, Social, Governance
Conjunto de critérios ambientais, sociais e de governança usados para avaliar as práticas de uma organização. Aplicado a TI, trata de como a empresa lida com o ciclo de vida e o descarte de seus equipamentos.
Valor residual
Valor estimado de um ativo ao final de sua vida útil ou de um contrato. No leasing, é o montante pelo qual o arrendatário pode adquirir o bem ao término do contrato.
VRGValor Residual Garantido
No arrendamento mercantil, é o valor pré-fixado que o arrendatário se compromete a pagar caso opte por adquirir o bem ao final do contrato.
Arrendamento mercantil
Nome formal do leasing no Brasil. Contrato em que uma parte (arrendadora) cede a outra (arrendatária) o uso de um bem por prazo determinado, mediante contraprestação, com opção de compra ao final.
Grade A/B/C/Sucata
Classificação de estado de equipamentos usados na precificação de lotes: A (excelente/pouco uso), B (bom, sinais de uso), C (funcional com desgaste), Sucata (para peças ou descarte).
RMAReturn Merchandise Authorization
Autorização de devolução de mercadoria, geralmente por defeito ou garantia. Gera estoque que precisa de triagem e destinação.
Sanitização de dados
Processo de eliminação segura e irreversível de dados de dispositivos de armazenamento antes do descarte ou revenda, para proteger informações sensíveis.
Responsabilidade compartilhada
Princípio da PNRS pelo qual fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o poder público dividem a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos.
Rejeito
Na PNRS, é o resíduo que, após esgotadas as possibilidades de tratamento e recuperação, não tem outra opção além da disposição final ambientalmente adequada. Distingue-se de resíduo reciclável ou reaproveitável.
Ativo de direito de uso
Conceito contábil (CPC 06 R2 / IFRS 16): o direito do arrendatário de usar um bem arrendado, reconhecido como ativo no balanço patrimonial, com um passivo correspondente.
Legislação

Marcos legais que organizam o setor

As referências abaixo foram conferidas em fontes oficiais. Como legislação muda, confirme sempre a versão vigente antes de tomar decisões que dependam do texto legal.

Política Nacional de Resíduos Sólidos

Lei nº 12.305/2010

Instituída em 2 de agosto de 2010, estabelece as diretrizes para a gestão de resíduos sólidos no Brasil, incluindo eletrônicos. Trouxe conceitos como responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto e o sistema de logística reversa. Aplica-se a pessoas físicas e jurídicas que geram resíduos.

Fonte: Presidência da República — planalto.gov.br · Regulamentada originalmente pelo Decreto nº 7.404/2010.

Lei do Leasing (arrendamento mercantil)

Lei nº 6.099/1974

Sancionada em 12 de setembro de 1974, dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil. As operações são fiscalizadas pelo Banco Central e disciplinadas pela Resolução CMN nº 2.309/1996. Distingue as modalidades financeira e operacional.

Fonte: Presidência da República — planalto.gov.br · Banco Central do Brasil — bcb.gov.br.

Norma contábil de arrendamentos

CPC 06 (R2) / IFRS 16

Em vigor desde 1º de janeiro de 2019, mudou a contabilização de arrendamentos. Para o arrendatário, eliminou a distinção entre leasing financeiro e operacional: quase todos os contratos passam a ser reconhecidos no balanço como ativo de direito de uso e passivo de arrendamento (com exceções para contratos de curto prazo ou baixo valor).

Fonte: Comitê de Pronunciamentos Contábeis — cpc.org.br · Aplicável a empresas que seguem o padrão IFRS; PMEs têm tratamento simplificado.

Licenciamento ambiental estadual

CETESB (SP) e órgãos estaduais

A operação de atividades que envolvem tratamento ou reciclagem de resíduos depende de licenciamento ambiental, concedido por órgãos estaduais — em São Paulo, a CETESB. Empresas que apenas comercializam ou intermediam lotes têm exigências diferentes de quem processa/recicla fisicamente o material.

Verifique as exigências específicas da sua atividade e do seu estado. Esta é uma orientação geral, não um parecer sobre o enquadramento da sua empresa.

As informações legais aqui são um panorama educativo conferido em fontes oficiais na data de elaboração. Não constituem parecer jurídico. Legislação e regulamentação mudam — confirme a versão vigente e consulte um profissional antes de decisões que dependam do texto legal.
Contábil e fiscal

O que quem atua no segmento precisa ter no radar

Pontos de atenção contábil e fiscal relevantes para empresas que compram, vendem, recondicionam ou dão destinação a equipamentos de TI. Cada empresa tem particularidades — trate como mapa de temas para levar ao seu contador, não como orientação fechada.

Enquadramento

CNAE certo evita dor de cabeça fiscal

Atuar com comércio, recondicionamento e destinação pode exigir mais de um CNAE. O enquadramento errado afeta alíquotas, obrigações acessórias e a possibilidade de licenciamento. Vale revisar com o contador se os CNAEs cadastrados cobrem tudo o que a empresa realmente faz.

Leasing no balanço

O CPC 06 (R2) mudou o jogo desde 2019

Se sua empresa faz leasing como arrendatária, os contratos afetam o balanço de forma diferente da antiga "despesa de aluguel" — impactando indicadores como EBITDA e endividamento. Isso muda como o negócio aparece para bancos e investidores.

Regime tributário

Simples, Presumido ou Real muda tudo

A vantagem fiscal do leasing, da compra e da revenda de seminovos depende diretamente do regime tributário. O que é dedutível num regime pode não ser em outro — por isso a mesma operação pode compensar para uma empresa e não para outra.

Nota fiscal de usados

Revenda de seminovos tem regras próprias

A emissão de nota para equipamento usado, a origem do lote e a documentação de entrada têm particularidades que impactam o crédito de impostos. Manter a rastreabilidade documental do lote desde a aquisição evita problemas na revenda.

CNAEs frequentes no segmento

Referência de códigos que costumam aparecer na atividade — a combinação correta depende do que a empresa efetivamente faz.

4751-2/01
Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática
4652-4/00
Comércio atacadista de componentes eletrônicos e equipamentos de telefonia e comunicação
4687-7/02
Comércio atacadista de resíduos e sucatas não metálicos (baterias e acumuladores usados, plástico e vidros usados, etc.)
9511-8/00
Reparação e manutenção de computadores e de equipamentos periféricos
3839-4/99
Recuperação de materiais não especificados anteriormente (triagem de resíduos para matéria-prima secundária)
Códigos CNAE conferidos na classificação oficial do IBGE/CONCLA. A escolha e combinação de CNAEs deve ser feita com apoio contábil, conforme a atividade real da empresa. Aspectos tributários variam por regime e por município.
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